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Zezinha: no coração do Vale do Jequitinhonha, onde o barro ganha alma

  • Foto do escritor: Igor Kalassa
    Igor Kalassa
  • 6 de jul.
  • 14 min de leitura

Existem viagens que começam quando colocamos o carro na estrada.

Outras começam muito antes.

Começam quando ouvimos alguém falar de uma artista capaz de transformar um punhado de barro em uma obra que atravessa fronteiras, chega a museus, encanta colecionadores e passa a representar uma das expressões mais autênticas da cultura brasileira.

Foi assim que conheci o trabalho de Maria José Gomes da Silva.

Mas quase ninguém a chama por esse nome.

No Vale do Jequitinhonha ela é simplesmente Zezinha.

Chegar até sua casa faz parte da experiência.

Depois de deixar a rodovia, a paisagem muda lentamente. O asfalto desaparece e uma estrada de terra conduz o visitante por pequenas propriedades rurais, cercadas por pastagens, árvores retorcidas e morros suaves que caracterizam aquela parte do norte de Minas Gerais.

Não existe pressa.

A poeira da estrada parece preparar o olhar para um Brasil diferente daquele que costuma aparecer nos cartões-postais.

Um Brasil onde o tempo ainda respeita o ritmo das pessoas.

Estrada no Vale do Jequitinhonha
Estrada no Vale do Jequitinhonha

A comunidade de Coqueiro do Campo surge discretamente entre a vegetação. Algumas casas espalhadas pela paisagem, pequenos quintais, crianças brincando e um silêncio quebrado apenas pelo vento e pelo canto dos pássaros.

É difícil imaginar que, naquele lugar simples, nasce uma das cerâmicas mais admiradas da arte popular brasileira.

Uma recepção que faz o visitante esquecer as horas

Poucos minutos depois de estacionar o carro, compreendi que aquela visita seria diferente.

Antes mesmo de falar sobre arte, fui recebido por sorrisos.

Zezinha e seu marido, Ulisses, acolhem cada visitante como quem recebe um velho amigo.

Zezinha e Ulisses
Zezinha e Ulisses

Não existe formalidade.

Também não existe qualquer distância criada pelo reconhecimento internacional que conquistaram ao longo dos anos.

A conversa acontece naturalmente.

O café aparece quase sem ser percebido.

O cheiro da cozinha se mistura ao perfume da terra molhada e das plantas do jardim.

Ali ninguém parece ter pressa para terminar uma conversa.

Talvez porque o próprio barro ensine que tudo tem seu tempo.

Enquanto caminhávamos pelo terreno, um detalhe chamou imediatamente minha atenção.

O forno onde as peças são queimadas estava completamente branco.

Não apenas limpo.

Impecavelmente branco.

Forno da Zezinha
Forno da Zezinha

Perguntei sobre aquilo e recebi uma resposta simples, daquelas que dificilmente apareceriam em um livro ou em uma reportagem tradicional.

Ulisses faz questão de pintar o forno frequentemente.

Não porque seja necessário.

Mas porque Zezinha gosta de tudo limpo, organizado e bonito.

Sorri ao ouvir a explicação.

Parece um detalhe pequeno.

Mas naquele instante tive a impressão de compreender um pouco da artista antes mesmo de conhecer sua obra.

Quem dedica tanta atenção ao espaço onde trabalha certamente também dedica o mesmo cuidado às peças que produz.

E basta observar qualquer escultura criada por ela para perceber que essa impressão estava correta.

Um jardim onde a arte floresce naturalmente

A casa de Zezinha não possui um grande portal nem placas chamativas indicando que ali vive uma artista reconhecida internacionalmente.

O próprio lugar faz essa apresentação.

O jardim funciona como uma pequena galeria ao ar livre.

Entre árvores, flores e caminhos de terra surgem esculturas distribuídas com naturalidade, como se sempre tivessem pertencido àquela paisagem.

Algumas observam silenciosamente quem chega.

Outras parecem conversar entre si.

É curioso perceber que nenhuma delas transmite a sensação de estar exposta para impressionar visitantes.

Obras pelo jardim de Zezinha e Ulisses
Obras pelo jardim de Zezinha e Ulisses

Elas simplesmente habitam aquele espaço.

Da mesma forma que o barro pertence ao Vale.

E que o Vale pertence às pessoas que vivem nele.

Passei um bom tempo caminhando lentamente pelo jardim.

Não procurando a melhor fotografia.

Mas tentando entender como arte e cotidiano convivem de maneira tão harmoniosa naquele lugar.

Ali não existe uma separação clara entre casa, ateliê e natureza.

Tudo parece fazer parte da mesma história.

Enquanto observava uma das esculturas iluminada pela luz suave, pensei que talvez fosse impossível compreender plenamente aquelas obras sem conhecer o ambiente onde nasceram.

Cada árvore.

Cada canteiro.

Cada parede caiada.

Cada banco de madeira.

Tudo ajuda a explicar um pouco da sensibilidade presente nas mãos da artista.

Obras espalhadas pelo jardim...
Obras espalhadas pelo jardim...

Quando o barro entra na vida de uma criança

Sentados à sombra, começamos a conversar sobre sua trajetória.

Maria José Gomes da Silva nasceu em 1968, em uma família numerosa, sendo a filha mais velha entre dez irmãos.

O barro fazia parte de sua infância muito antes de ser reconhecido como arte.

Naquela época, moldar a argila era uma necessidade da família.

Panelas, potes, moringas e outros objetos utilitários ajudavam no sustento da casa.

O trabalho era coletivo.

Pais, filhos e irmãos participavam das diferentes etapas da produção.

Seu pai, Manuel Gomes da Silva, era uma figura pouco comum na região.

Enquanto a maior parte das mulheres produzia cerâmica, ele tornou-se conhecido por ser um dos poucos homens dedicados ao ofício.

Foi observando seus pais que Zezinha começou a aprender.

Ainda menina, o barro deixou de ser apenas uma brincadeira.

Transformou-se em linguagem.

Cada peça produzida representava mais um aprendizado.

Mais uma tentativa.

Mais um desafio.

Naquele momento ninguém poderia imaginar que ela se tornaria uma das maiores referências da arte popular brasileira.

O Vale molda as pessoas tanto quanto o barro

Existe uma relação muito forte entre o Vale do Jequitinhonha e seus artistas.

A paisagem parece ensinar paciência.

Nada acontece rapidamente.

As estações seguem seu ritmo.

A terra seca espera pela chuva.

As plantações acompanham o clima.

O barro precisa descansar antes de ser modelado.

As peças secam lentamente.

Depois enfrentam o fogo.

Somente então revelam sua verdadeira forma.

Enquanto conversávamos, percebi que o processo criativo de Zezinha guarda muitas semelhanças com a própria vida no Vale.

Não existe ansiedade.

Não existe produção em série.

Cada escultura possui seu tempo.

Cada rosto ganha expressão pouco a pouco.

Cada detalhe é construído lentamente

Talvez seja justamente essa ausência de pressa que explique por que suas obras parecem transmitir tanta serenidade.

As famosas noivas.

As mães com seus filhos.

Os casais.

As figuras femininas.

Nenhuma delas parece posar.

Todas parecem simplesmente existir.

Como pessoas que encontramos diariamente pelas pequenas comunidades do Vale.

Muito além do artesanato

Durante muitos anos, a produção cerâmica do Vale do Jequitinhonha foi vista apenas como artesanato regional.

Essa definição, embora importante para reconhecer sua origem popular, tornou-se pequena diante do trabalho desenvolvido por artistas como Zezinha.

Suas esculturas ultrapassaram fronteiras.

Hoje fazem parte de importantes coleções particulares, museus e espaços públicos brasileiros.

Mas o aspecto que mais me impressionou durante a visita foi outro.

Em nenhum momento percebi qualquer sinal de vaidade.

Não encontrei uma artista preocupada em falar sobre prêmios, exposições ou reconhecimento internacional.

Encontrei alguém interessada em continuar trabalhando.

Em cuidar da família.

Em receber bem quem chega.

Em manter viva uma tradição construída ao longo de gerações.

Talvez essa seja uma das maiores lições daquela manhã.

O sucesso pode levar uma obra para muito longe.

Mas são as raízes que permitem que ela continue sendo verdadeira.

Enquanto o café terminava e a conversa seguia sem pressa, tive a certeza de que aquela visita não seria lembrada apenas pelas esculturas extraordinárias que encontrei ali.

Seria lembrada, principalmente, pelas pessoas.

Porque antes de ser uma grande artista, Zezinhae Ulisses são grandes anfitriões.

E talvez seja justamente essa simplicidade que torne sua obra tão profundamente humana.

Das mãos nasce uma história

Depois de algum tempo conversando, Zezinha me convidou para conhecer o espaço onde tudo acontece.

Ao entrar no ateliê, a primeira impressão não foi de grandiosidade.

Foi de calma.

Não havia máquinas sofisticadas nem equipamentos industriais. O ambiente era simples, organizado e silencioso. Sobre mesas e prateleiras, esculturas em diferentes estágios de produção pareciam contar a história do próprio processo criativo.

Algumas ainda eram apenas formas sugeridas pelo barro úmido.

Outras já revelavam delicadamente um rosto, um vestido ou um penteado.

Havia peças secando naturalmente, outras aguardando pintura e algumas prontas para enfrentar o calor intenso do forno.

Tudo parecia seguir um ritmo conhecido apenas por quem trabalha com a terra.

Enquanto observava cada detalhe, compreendi que ali não existia produção em série.

Cada escultura possuía sua própria identidade.

Mesmo quando duas peças representavam o mesmo tema, jamais eram iguais.

Cada rosto carregava uma expressão diferente.

Cada olhar parecia contar uma história.

Cada detalhe surgia das mãos da artista, e não de um molde.

O barro do Vale

Antes de se transformar em arte, o barro precisa ser compreendido.

No Vale do Jequitinhonha, a argila sempre fez parte da vida das comunidades rurais. Durante gerações, foi utilizada para produzir panelas, potes, filtros, moringas e utensílios domésticos que garantiam parte da renda das famílias.

Mas o barro também guarda outra característica.

Ele exige respeito.

Não aceita atalhos.

Cada etapa possui seu tempo.

Primeiro vem a escolha da argila.

Depois a preparação da massa, retirando pequenas impurezas que poderiam comprometer a peça durante a queima.

Em seguida começa a modelagem.

É um trabalho paciente.

Não existe pressa.

Uma pequena pressão feita no momento errado pode alterar completamente o resultado.

Depois de pronta, a escultura ainda precisa secar lentamente.

Somente então estará preparada para enfrentar o forno.

É curioso perceber como esse processo lembra a própria formação das pessoas.

Também nós somos moldados pelo tempo, pelas experiências e pelas dificuldades antes de revelar quem realmente somos.

Talvez seja por isso que exista tanta humanidade nas esculturas produzidas no Vale.

A cor que nasce da própria terra

Um dos aspectos mais marcantes da obra de Zezinha é a riqueza de cores.

Ao contrário do que muitos imaginam, elas não surgem de tintas industriais.

Grande parte da paleta utilizada pela família vem da própria natureza.

Os pigmentos, conhecidos como engobes, são preparados a partir de diferentes minerais encontrados na região.

Cada tonalidade depende da composição do solo.

Algumas oferecem vermelhos intensos.

Outras produzem ocres, marrons, amarelos suaves ou delicados tons de cinza.

Essas cores são aplicadas antes da queima, incorporando-se à peça de forma permanente.

O resultado impressiona.

Não apenas pela beleza.

Mas porque mantém uma ligação profunda com a paisagem onde tudo nasceu.

É como se cada escultura carregasse consigo um pequeno fragmento do Vale do Jequitinhonha.

A terra não serve apenas como matéria-prima.

Ela também fornece as cores que dão identidade às obras.

Uma família que trabalha unida

Seria impossível falar sobre Zezinha sem falar sobre sua família.

Ao longo dos anos, a arte deixou de ser apenas uma profissão.

Transformou-se em um legado compartilhado.

Ulisses, seu marido, participa diariamente do trabalho.

Enquanto muitas pessoas enxergam apenas a artista diante das esculturas, existe uma série de atividades silenciosas que permitem que tudo aconteça.

É ele quem ajuda na organização do espaço, cuida da estrutura da propriedade, acompanha diferentes etapas da produção e recebe os visitantes com a mesma simpatia da esposa.

Sua presença talvez não apareça diretamente nas peças.

Mas está presente em todo o ambiente.

Nas conversas.

Na tranquilidade da casa.

Na forma como cada detalhe é cuidado.

As filhas, Cláudia e Aline, também seguiram o caminho da mãe.

Desde cedo aprenderam a trabalhar com o barro e desenvolveram enorme sensibilidade para a pintura e o acabamento das esculturas.

Não existe uma divisão rígida entre mestre e aprendiz.

Existe troca.

Existe continuidade.

Existe uma tradição sendo transmitida naturalmente entre gerações.

Enquanto observava mãe trabalhando, pensei em quantas profissões desaparecem ao longo do tempo justamente porque deixam de ser ensinadas dentro da própria família.

Ali acontecia o contrário.

A arte permanecia viva porque continuava sendo compartilhada.

As mulheres que contam a história do Vale

Entre todas as esculturas produzidas por Zezinha, algumas tornaram-se especialmente conhecidas.

As noivas.

As mães amamentando.

Os casais.

As mulheres de vestidos longos.

À primeira vista, elas encantam pela delicadeza.

Mas basta observá-las por alguns minutos para perceber que existe muito mais do que beleza.

Cada rosto transmite serenidade.

Cada postura revela dignidade.

Cada expressão parece inspirada nas mulheres que construíram a história do Vale do Jequitinhonha.

São figuras fortes.

Trabalhadoras.

Silenciosas.

Mulheres que aprenderam a enfrentar longos períodos de seca, criar filhos, cuidar da casa e, ao mesmo tempo, transformar barro em sustento.

Talvez seja exatamente essa força que faz das esculturas de Zezinha muito mais do que objetos decorativos.

Elas representam uma memória coletiva.

Guardam histórias que dificilmente aparecem nos livros.

Quando o artesanato se transforma em arte

Durante décadas, existiu um debate sobre a produção cerâmica do Vale.

Seria artesanato?

Ou seria arte?

A resposta talvez não esteja em nenhuma dessas definições.

O trabalho de Zezinha ultrapassa qualquer classificação simples.

Suas esculturas preservam a tradição popular.

São produzidas manualmente.

Utilizam técnicas transmitidas entre gerações.

Nasceram dentro de uma comunidade rural.

Ao mesmo tempo, apresentam composição, equilíbrio, expressividade e refinamento que despertaram o interesse de críticos, curadores e colecionadores de diferentes países.

Hoje suas obras fazem parte de importantes acervos brasileiros.

Estão presentes em museus dedicados à arte popular.

Integram coleções particulares.

Decoram espaços institucionais.

E já participaram de exposições internacionais.

Mas nada disso parece alterar a rotina da artista.

Quando termina uma escultura, Zezinha simplesmente começa outra.

Como sempre fez.

Talvez seja justamente essa simplicidade que explique por que sua produção continua emocionando tantas pessoas.

O tempo continua morando ali

Enquanto caminhava mais uma vez pelo jardim antes de ir embora, olhei novamente para o forno branco.

Agora ele parecia representar muito mais do que um detalhe curioso.

Era um símbolo.

Assim como Ulisses faz questão de mantê-lo sempre limpo e bem cuidado, toda aquela família parece dedicar a mesma atenção ao legado que construiu ao longo da vida.

Nada ali transmite improviso.

Tudo revela respeito.

Pelo trabalho.

Pela casa.

Pelas pessoas.

Pela história.

Em um mundo acostumado à velocidade, visitar Zezinha é lembrar que algumas das coisas mais bonitas continuam exigindo tempo.

Tempo para conversar.

Tempo para observar.

Tempo para aprender.

E, principalmente, tempo para criar.

Talvez seja exatamente esse o maior ensinamento deixado por aquela visita.

O barro molda esculturas.

Mas são as pessoas que lhes dão alma.

Na casa de Zezinha até o porta trecos é uma obra de arte...
Na casa de Zezinha até o porta trecos é uma obra de arte...

Muito além do ateliê: conhecer o Vale para compreender a obra

Ao deixar a casa de Zezinha, ficou claro para mim que seria impossível compreender plenamente suas esculturas sem conhecer o lugar onde elas nasceram.

O Vale do Jequitinhonha costuma ser lembrado por indicadores econômicos, pelos desafios enfrentados por suas comunidades e pelas longas estiagens que fazem parte da vida da região. Durante muitos anos, essa foi praticamente a única imagem apresentada ao restante do país.

Mas basta percorrer suas estradas para descobrir outra realidade.

O Vale também é um território de extraordinária riqueza cultural.

Ali floresceram músicos, escritores, bordadeiras, escultores, ceramistas, mestres da cultura popular e artistas que encontraram na criatividade uma forma de preservar suas raízes.

A arte produzida na região não surgiu para atender galerias ou colecionadores.

Ela nasceu da necessidade.

Primeiro vieram os utensílios domésticos.

Depois surgiram as figuras humanas, inspiradas na própria comunidade.

Ao longo do tempo, aquilo que servia para complementar a renda das famílias passou a ocupar espaço em museus, exposições internacionais e importantes coleções particulares.

Ainda assim, o barro continua sendo retirado da mesma terra.

As mãos continuam sendo as mesmas.

E a inspiração permanece vivendo no cotidiano do Vale.

Uma artista que nunca deixou de ser moradora do Vale

Talvez uma das coisas que mais me impressionaram tenha sido perceber que o reconhecimento nunca afastou Zezinha de suas origens.

Suas obras viajaram muito mais do que ela.

Chegaram a museus, galerias, instituições públicas e coleções espalhadas pelo Brasil e pelo exterior.

Ela permaneceu onde tudo começou.

Continuou vivendo em Coqueiro do Campo.

Continuou trabalhando cercada pela família.

Continuou recebendo visitantes com a mesma simplicidade.

Esse talvez seja um dos maiores privilégios para quem decide conhecê-la.

Em muitos lugares do mundo, artistas desse nível trabalham em ateliês inacessíveis, protegidos por agendas lotadas e intermediários.

No Vale do Jequitinhonha acontece exatamente o contrário.

É possível conversar.

Perguntar.

Observar.

Aprender.

Não existe palco.

Não existe espetáculo.

Existe apenas uma artista compartilhando seu cotidiano com quem demonstra verdadeiro interesse pelo seu trabalho.

O silêncio também faz parte da experiência

Há um aspecto da visita que dificilmente aparece nas fotografias.

O silêncio.

Não um silêncio absoluto.

Mas aquele silêncio típico do interior, interrompido apenas pelo vento, pelo canto dos pássaros, pelo som distante de algum animal e pelas conversas tranquilas que acontecem sem pressa.

Vivemos acostumados a cidades onde o ruído nunca termina.

No Vale, o silêncio parece criar espaço para observar melhor.

Foi durante esses momentos que percebi pequenos detalhes que provavelmente passariam despercebidos em uma visita apressada.

A textura da argila secando ao sol.

As marcas das mãos ainda visíveis em algumas peças.

As plantas crescendo entre esculturas espalhadas pelo jardim.

A luz entrando lentamente no ateliê.

Nada parecia extraordinário.

Mas tudo possuía significado.

Talvez porque a beleza daquele lugar esteja justamente na soma de pequenos detalhes.

O que aprendi com Zezinha e Ulisses

Toda viagem deixa algum aprendizado.

Algumas ensinam geografia.

Outras revelam fatos históricos.

Existem aquelas que ampliam nosso repertório cultural.

A visita à casa de Zezinha ensinou algo diferente.

Mostrou que excelência e simplicidade podem caminhar juntas.

Vivemos em uma época em que muitas vezes associamos sucesso a grandes estruturas, tecnologia, velocidade e crescimento constante.

Naquele pequeno sítio do Vale do Jequitinhonha encontrei outra lógica.

Ali, qualidade continua sendo consequência da paciência.

O reconhecimento nasce da dedicação.

E o tempo permanece sendo parte essencial do processo criativo.

Percebi também que existe uma enorme diferença entre produzir objetos e criar obras capazes de emocionar pessoas.

As esculturas de Zezinha não impressionam apenas pela técnica.

Elas carregam delicadeza.

Humanidade.

Memória.

Ao observá-las de perto, tive a sensação de que cada uma guarda um pouco da história de quem a modelou.

Talvez seja exatamente isso que distingue uma obra de arte.

Ela continua conversando conosco muito tempo depois de terminarmos de observá-la.


Informações para quem deseja visitar

Se você pretende conhecer Zezinha e sua família, reserve um tempo para viver a experiência completa.

A casa fica na comunidade rural de Coqueiro do Campo, entre os municípios de Turmalina e Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, norte de Minas Gerais.

O acesso final é feito por estrada de terra.

Não é uma estrada difícil.

É apenas mais um convite para diminuir a velocidade e entrar no ritmo da região.

A visita deve ser agendada com antecedência.

Além da rotina intensa de produção, a artista frequentemente participa de exposições, feiras e eventos culturais.

Outro motivo importante é que a cobertura de telefonia móvel pode oscilar em alguns pontos da comunidade.

Uma mensagem enviada com antecedência costuma ser a melhor forma de organizar a visita.

Quem tiver disponibilidade deve considerar passar mais tempo na região.

Dormir na comunidade ou permanecer alguns dias entre Turmalina e Minas Novas permite compreender melhor a cultura local e descobrir outros artistas igualmente talentosos.

Mais do que comprar uma escultura, visitar Zezinha é conhecer uma forma de viver.

Dicas para aproveitar melhor a experiência

  • Agende a visita antes de viajar.

  • Vá sem pressa.

  • Leve calçados confortáveis para caminhar em estrada de terra.

  • Reserve tempo para conversar.

  • Observe o jardim antes mesmo de entrar no ateliê.

  • Pergunte sobre o processo de criação.

  • Valorize o trabalho dos artistas locais adquirindo peças diretamente deles sempre que possível.

  • Se pretende comprar uma obra específica, consulte previamente a disponibilidade, pois muitas esculturas já possuem destino definido antes mesmo de ficarem prontas.

Perguntas frequentes

Onde fica o ateliê de Zezinha?

Na comunidade rural de Coqueiro do Campo, entre Turmalina e Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, norte de Minas Gerais.

É necessário agendar a visita?

Sim. O agendamento é recomendado para garantir que a artista esteja na comunidade e possa receber os visitantes.

O acesso é fácil?

Sim. O trecho final é feito por estrada de terra, normalmente acessível para veículos de passeio em boas condições.

Zezinha ainda produz suas esculturas?

Sim. Ela continua trabalhando diariamente ao lado do marido e das filhas.

As obras são feitas manualmente?

Todas as esculturas são produzidas artesanalmente, desde a modelagem até a pintura e o acabamento.

De onde vêm as cores utilizadas nas peças?

Grande parte dos pigmentos é obtida a partir de minerais encontrados na própria região, preservando uma tradição centenária do Vale do Jequitinhonha.

Posso comprar uma escultura diretamente no ateliê?

Sim, mas é importante lembrar que algumas obras já estão reservadas para colecionadores ou galerias. Vale a pena consultar a disponibilidade antes da visita.

Quanto tempo dura a visita?

Não existe um tempo determinado. O mais importante é ir sem pressa e aproveitar a oportunidade para conhecer a artista, sua família e o processo de criação.

Sobre mim

Sou fotógrafo amador e apaixonado pela cultura brasileira, pela arquitetura histórica, pela natureza e pelas paisagens que ajudam a contar a história do nosso país.

Viajar, para mim, sempre foi muito mais do que conhecer novos lugares. É uma oportunidade de entender como as pessoas vivem, preservar memórias e descobrir histórias que muitas vezes passam despercebidas. As fotografias que produzo são apenas uma forma de guardar esses encontros e compartilhar um pouco da riqueza cultural e natural do Brasil.

Direitos autorais das fotografias

Todas as fotografias publicadas neste blog são de minha autoria e fazem parte do meu acervo pessoal.

As imagens são protegidas pela Lei nº 9.610/98, de Direitos Autorais, e não podem ser copiadas, reproduzidas, impressas, distribuídas, publicadas ou utilizadas, total ou parcialmente, em qualquer meio, sem minha autorização prévia e expressa, por escrito.

Caso tenha interesse em utilizar alguma fotografia para fins editoriais, institucionais ou comerciais, entre em contato.

Contatos para agendamento da visita

  • Zezinha / Ulisses: (33) 99104-0005

  • Aline: (33) 99809-8486

  • Cláudia: (38) 99829-1247

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